O par da unidade

A unidade seria a perfeição. Quantas vezes a encontrámos já?

My Photo
Name: Marisa
Location: Por aí..., Aruba

Chega a ser triste, não sei o que dizer de mim senão isto: para mim sou uma coisa, para cada pessoa com quem falo sou outra diferente. Mas, não é que gosto disto?!

Wednesday, November 18, 2009

Estou siderada...

"Está tudo arrumado. A minha (...) não podia viver mais. Finalmente, estamos todos em paz."

Tuesday, November 10, 2009

Momento

Vamos tirar um momento. Todos nós.
Para nos sentirmos bem.
Sem sentir o corpo cansado.
A alma extenuada.
O olhar turvo.

Vamos tirar um momento.
Sentindo.
A agradável sensação que é deixar-nos ir.
Sem pensar.
Sem haver o que pensar.
Sentindo.
O que é bom sentir.
Não o sentindo, relembrando.
O abraço que nos acalma.
O olhar que nos embala.
A mão que nos agarra.

Vamos tirar um momento.
Para que a vida pare.
Sem mais nos incomodar.
A dor que nos persegue.
O abismo que nos engole.

Vamos tirar um momento...

Wednesday, September 02, 2009

Paulo Leminski II

-- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda

Paulo Leminski I

PROFISSÃO DE FEBRE

quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento

Thursday, July 30, 2009

Ando a fazer individuais em trapilho num tear em miniatura...

Monday, June 15, 2009

Histórias das estórias

Tenho vontade de escrever. às vezes. Como agora. Sobre o quê? Não sei.
Dias há em que as personagens se confundem na minha cabeça. As suas histórias rodopiam sem parar. Pedindo. Incessantemente. Uma linha. Uma palavra. Ou um livro inteiro. Que vidas são essas ? Que são a minha. Sem nada terem de mim. Sendo eu. A todo o momento.
nessas linhas. Nessas palavras. Confundo-me. Confundi-mo-nos todos. Nas mil e uma vidas. Que podiam ser a nossa. Nas esclhas. Mil e uma. Que fazemos. Podíamos fazer. Poderíamos ter feito. Como se da tiwilight zone se tratasse. E todas as vidas fossem paralelas à nossa. Podendo cada uma delas ser a nossa.
Nesta correria. A cabeça roda. à procura. Do caminho que nos levará. à nossa via. Mesmo à nossa. Não à alternativa. Sendo qualquer uma delas o que podia ser. Não sendo nenhuma. Ainda assim.
Rodopiam as alegrias. Como as mágoas. Os desejos. Os esforços. Para conseguir os sonhos. Que não sei. às vezes. Se são os meus. Rodopiam. Perseguindo-me na escuridão. Do sonho. No sono. Quando os olhos se abrem. Para ver. A escolha que não mais está lá. De tantas vezes ter sido feita.
Perco o meu tempo. Assim. Escrevendo. O que nem eu sei. Se faz sentido. Se é necessário. Ou simplesmente se me faz bem.
Penso nelas. Nas outras vidas. Que caminham a meu lado. Que sinto. Sem tão pouco saber porquê. Que me atormentam. Quando não sei. O que fazer. Porque é difícil. Saber. O que está certo. O que é permito. O que não se pode. O que não se deve. Caminham. Sem querer saber. Mas parecendo esperar sempre. Quando não há mais nada. Para dar. Nunca houve. Deu-se sempre. Alguma coisa. Caminhando não fazem companhia. Caminhando não nos acompanham. Caminhando não estão coonosco. Caminhando exigem-nos o que não podemos dar. Falam-nos sem nos verem. Para além da satisfação das suas necessidades.

"Muito obrigada. Se alguma vez precisar de alguma coisa minha é só dizer". Disse-me o mendigo a quem dei o almoço. Perguntei-me no que poderia ele ajudar-me. Foi então que percebi. Sou o leão...

Tuesday, April 28, 2009

Estereótipo

Quem é que me mandou andar sempre a falar mal do estereótipo da mulher indefesa e que precisa de alguém para a proteger?
Quem mandou? Quem?
O que eu gostava de saber...

Friday, April 17, 2009

Da história

Chama-se Laura. Creio. Ou Luísa. Ou Helena. Não me lembro. A importância do nome nada diz da importância da pessoa.

Se não fosse o ar. Seria uma outra qualquer. Das que passam sem darmos conta. Das que falam sem ouvirmos. Arranjava-se com algum cuidado. Reparava-se depois. De ultrapassado o impacto do ar. Depois. De se ouvirem as palavras.

Laura / Luísa / Helena achava que era feliz. A certa altura. Entre os dias que passavam. Iguais entre si. Que não eram sábados. Descobriu. Apercebeu-se. Refectiu. Que era possível que assim não fosse. Querer sempre mais não era ela. Ela sabia o que queria. Isso bastava. Queria o que tinha. Passou a querer o que não tinha. Se o havia de ter? Ela não sabia. Mas queria-o.

Fez-se notada. Não gritou "Estou aqui." Agiu como se assim fosse. Afinal ela estava ali. Existia. Fisicamente. Quem não deu por isso nessa altura?

Pensamos nós. De fora. Que a mulher deu em possidónia. Passou-se. Disse o povo.

Sunday, April 12, 2009

Tás a ver?

O sol que sorriu? Estás a ver?
A companhia que fizemos. Um ao outro. Tudo o que passou. O que não mais virá. Estás a ver?
O passeio que podia ter dado. As pessoas que teria encontrado.
A mão que podia ter sido dada. Não foi. O tráfico de influências é condenável. Mesmo quando sabemos estar nas nossas mãos ajudar quem não tem mais nada. mais sítio onde ir. Mais olhos a quem implorar.
Estás a ver?
A miséria que te passa ao lado. Que sabes estar ali. Que não queres ver. Porque és muito sensível. Também será sensível? A miséria? À ignorância?
Desci as escadas. Olhei em volta. Como quem procura. O que sei nunca lá ter estado.
Olhei em volta. Na certeza de que o que desejamos esquecer acaba por desaparecer.

Gritei o que o fôlego me permitiu. Gritei. Porque sim.
Porque não era este sítio. Nesta hora. Neste momento. Desta forma. Que queria estar.
Estás a ver? A vida a correr. Já não passa. Simplesmente. Deixou-se disso.
Passou por mim. Por todos quantos estávamos aqui. Sem nos olhar. Sem querer saber o que pensaríamos.
Pasou como se de uma rajada de vento se tratasse. Passou.
Lembrei-me. De repente. Foi a rajada.
Se não quero estar aqui. Porque não vou embora?
Para um outro sítio? Um outro eu? O futuro que quero? Que é o meu?
Está a ver?
Atravessei o rio. A nado. Olhei nos olhos. Que se recusaram aceitar-me.
Do nada faz-se o tudo que somos nós. Poque não queremos desistir. Porque baixar os braços é morrer. Porque a vida pode não andar. Mas somos nós que não a acompanhamos.

Tás a ver ? A vida como ela é...

Wednesday, April 08, 2009

Dança

Tratas-me por Sr.ª Doutora. Eu trato-te por Sr. Doutor. Nesta dança de Doutores em que ninguém é doutor.
Eu não sou médica. Tu também não.
Continuemos pois. Nesta dança. De frivolidades.

Em que nos tratamos mutuamente pelo que queremos ser tratados.
Em que fazemos das aparências a realidade que queremos.
Dancemos pois.
Até outro dia. Sr. Doutor. Passe bem.

Tuesday, April 07, 2009

Intervalo

Não tinha nada que fazer. No intervalo.
Entre as mil coisas que tenho para fazer. As mil que não tenho vontade de fazer.
Não fiz nada. No intervalo. Quase me recusei a pensar. No intervalo. Que não teve lugar.

Procurei. Sem saber o quê. Nem onde. Não procurei nada.
Esqueci-me de mim. enquanto vi os outros.
Passei ao lado de tudo. Enquanto procurava. Sem procurar. No intervalo que não teve lugar.

Tuesday, February 17, 2009

O funeral do carnaval

Vamos ao funeral agora. O Sr. M. morreu ontem no hospital.
Quando voltarmos vamos continuar a pintar as máscaras do Carnaval.
Têm que estar prontas na sexta-feira.
Á tarde é o funeral da Sr.ª J. que morreu esta noite no hospital.

As máscaras não se podem atrasar.
O Carnaval é já na terça. O desfile dos meninos na sexta.

Monday, February 16, 2009

Mudanças

Mudei-me. Para trás do sol posto.
Não trouxe malas nem bagagens.
Nem lembranças.
Só o ar. Para respirar. quando tiver tempo.
As mudanças cansam. Por isso mudo tão pouco.
E fazer o passaporte também é caro.

Atrás do sol posto. Onde nem Deus suspeita da minha existência.
Mudei-me. Sem mexer um músculo. Sem dizer uma palavra.
Nem sequer um adeus. Aos que ficam. Comigo.
Aos que não vão sentir a minha falta.

Cansa já a existência. Das contradições.
Do que estava para vir.
Como cansa fazer as malas.
Para a viagem. Que nunca chega.
Para as mudanças. Que não existem.

"It's amazing all that you can do
(...)
Nothing can compare to deserving your dreams."

Código Comando

Pode ser dos comandos. Pode.
Mas às vezes, e só às vezes, não nos fazia mal nenhum pensar nisto um pouco.
Ou então não. Vai-se lá saber...

CÓDIGO COMANDO
O COMANDO ama devotadamente a sua PATRIA, estando sempre pronto a fazer por ela todos os sacrifícios. Constante exemplo de energia, de amor ao trabalho, de dedicação e de lealdade aos chefes, nao discute as ordens que recebe, nao admite nem conhece embaraços ou resistências à sua integral execução.
Remove todos os obstáculos ao fiel e exacto cumprimento dos seus deveres, sejam quais forem as dificuldades a que tenha de se sujeitar, sem procurar que outrem tome a sua conta o que lhe incumbe fazer.
O COMANDO pratica a camaradagem e procura assegurar a solidariedade moral entre todos os seus irmãos de armas; mas não aceita a indignidade, nem a desobediência, nem o desrespeito pelas regras da disciplina e da honra. Sempre disposto a auxiliar quem precisa do seu apoio material ou do seu amparo moral, quer na paz, quer na guerra, e em frente ao inimigo, afirma-se constantemente pessoa de carácter.
O COMANDO ama as responsabilidades; sempre pronto a comandar e disposto a obedecer, nao admite a suspeita de haver nos seus superiores a intenção de oprimi-lo ou de, por qualquer forma, o diminuir. Porque é sua constante preocupação agir como verdadeiro COMANDO tem nos seus chefes ou comandantes a mais segura confiança e a mais acrisolada fe.
Sempre generoso na vitória e paciente na adversidade, o verdadeiro COMANDO trata com solicitude, acarinha e estimula aqueles que lutam e sabem vencer todos os obstáculos. Nao admite a mentira mas respeita os estóicos e abnegados que servem sem preocupação de paga ou de satisfação de interesses de qualquer natureza.
O carácter, a lealdade, a fidelidade, a obediência e a determinação são virtudes inalienáveis do COMANDO. Sejam quais forem os seus dotes de saber o COMANDO que as não possua ou as despreze deve ser inexoravelmente privado do seu título.
O COMANDO não foge ao perigo, não evita as situações que possam acarretar-lhe incómodos. Incumbido de uma missão, põe no cumprimento dela todas as suas possibilidades de actuação, todas as suas forças físicas, intelectuais e morais.

Friday, February 13, 2009

O romance que era uma trági-comédia

Às vezes tenho dúvidas existenciais. Outras vezes não.
Não tenho. Ou não são dúvidas.

Pensei em escrever um romance. Da minha vida.
Depois pensei: "Qual romance?"
Fazia mais sentido uma tragi-comédia.
Em que não havia nada de trágico. Nem de comédia.
Era um romance. Em branco.
Quase como a minha vida.
Numa página colorida. Para não ser tão aborrecido.
Como as dúvidas que me perseguem. Que não são dúvidas.

Com tantos episódios do quotidano dignos de nota. Ou não. Como chegamos a isto?
A um espremer da vida que não tem sumo?

Todos os dias têm 24 horas.
O tempo passa. É um facto. Não pode fazer mais nada.
Em que gastamos nós tantos minutos?
O que temos para apresentar no final de contas?
Quantas voltas pode a nossa vida dar e continuarmos a seco?
Porque ninguém quer saber.
Giramos todos à volta de nós. Porque havíamos de querer saber.
Dos outros romances? Daqueles que estão de férias? Até ao Natal?
Das trági-comédias? Que não existem? Ou não fazem sentido?

Vou escrever um livro: o romance da minha vida.
Que no final, se constatará - ou à moda do PSD: a história me dará razão, era uma trági-comédia.
Sem romance, nem tragédia, nem comédia.

Uma página em branco colorida.

RSI

"Sei que há pessoas que até vivem numa miséria pior que eu."

Monday, February 02, 2009

Esclarecimento

O esclarecimento há muito procurado e finalmente encontrado:

A actividade leitura da ementa (aos idosos, obviously) é que tipo de animação?

Expressão dramática! Nem mais...

Já temos uma voluntária para ser a sopa de feijão na próxima semana.
Aceitam-se mais candidatos. Por favor enviar CV actualizado com fotografia.

Monday, October 27, 2008

Espero por ti

Espero por ti.
Como sempre. Esperei.
Talvez seja tempo. De deixar de esperar.

Podemos sempre acreditar. Posso.
Que chegarás um dia.
Mas a dúvida de saber se é importante persegue-me.
Agora. Só agora.

Espero. Porque não esperar?
Porque não deixar a vida em standby?
Um momento mais. Um segundo mais.
Aquele segundo que no final será a vida toda.

Como pesar o valor?
De esperar por ti?
Se não sei o que espero? Como saber se vale a pena?

Dás-me a mão e dizes que me adoras.
Preciso de mais. As palavras cansam já.
Os gestos. As atitudes. Essas dão vontade de chorar.
Pesam-me. No mais fundo de mim. Atormentam-me.

Espero por ti.
Ou és tu quem, afinal, está à minha espera.
Sempre. Basta chamar.

Sei que és meu. Mas será que vale a pena esperar? Mais?

Tuesday, July 08, 2008

Pobres

Pobres...
Dos que não têm casa.
Dos que não têm amor.
Dos que não sabem sorrir.
Dos que não vêem o sol brilhar.
Dos que não têm alma.
Dos ignorantes.

Bem daqueles que não têm casa.
Mas têm um sorriso.
Um ombro amigo.
Acordam felizes.
Sabem olhar-nos nos olhos.
Ler a nossa alma.
Sabem quando dizer.
Calma. Estou contigo.
Sorri. O dia ainda agora começou.
Chora. Encosta-te no meu ombro.

Que interessa querer o mundo?
Se o mundo está na palma da nossa mão?

Wednesday, June 11, 2008

Abrandar

Abrandei um pouco.
Na esperança.
De sentir a tua mão no ombro.
Ouvir-te dizer:"estou contigo. não vás".
Ou outra parvoíce qualquer.

Abrandei.
Sem qualquer resultado.

Abrandei um pouco.
Sabendo já que não valia a pena.

Thursday, June 05, 2008

A companhia da solidão

Não há muita coisa pior do que sentirmo-nos sós no meio da multidão.
Ou talvez haja. Mas não importa. A maior parte das vezes.

Porque escrevo num blog quando podia, simplesmente, conversar com alguém?
Ou não.
É bom. Estar comigo e saber o que posso esperar.
Outras vezes simplesmente enlouquecer.
Em silêncio. No meio da multidão. Sorrindo.

Como chegamos a ser estes adultos?
Em que curva do caminho perdemos tudo?
A ideologia?
O acreditar? Nos outros? Em nós?

Como chegamos ao ponto em que sabemos que preferimos estar sós a estar com o outro?
Mau não é estarmos sós no meio da multidão.
Mau é estarmos a dar voltas na nossa cabeça. No nosso coração.
E não poder gritar. Simplesmente gritar.

Prefiro estar só.
A ter os olhares reprovadores.
As críticas destrutivas.

Porque é que não conseguimos aceitar as pessoas como elas são?
Gostar delas só porque são assim? Porque sim.

Quando foi?
Que perdemos a vontade?
De olhar para o lado e sorrir?
Dar uma mão?
Emprestar um ombro?
Dizer "estou aqui. contigo. por ti."?
Quando foi?

Talvez quando damos por nós no meio da multidão.
E é como se estivéssemos sós...

Friday, May 23, 2008

Porque não?

"Só podemos amar o que conhecemos".

Foi o adeus definitivo ao amor.
Porque não acreditar no amor à primeira vista?
Acreditar que podemos amar sem conhecer?
Sentir que há quem nos olhe, simplesmente
e nos toca a alma?

Onde está o amor que nos arrebata?
As paixões que nos deixam sem sentidos?
As horas de contemplação?
Um sorriso idiota nas lábios?
A vontade e energia de mudar o mundo?

Não podemos amar a Vida?
Conhecendo apenas a nossa?
De onde vem a nossa energia?
Aquela que nos faz gritar a plenos pulmões?
Chorar como se não houvesse amanhã?
Dar a mão a quem precisa?
Lutar pelo que acreditamos que está certo?

Se calhar é verdade.
Não podemos amar o que não conhecemos.

Ou porque não?
Porque não deixarmo-nos arrastar para o infinito?
Simplesmente porque sim.
Porque se amássemos apenas o que conhecemos, o que realmente conhecemos
Não precisávamos de um coração tão grande...

Wednesday, May 14, 2008

Pousa um momento


Pousa um momento

Um só momento em mim,

Não só o olhar, também o pensamento.

Que a vida tenha fim

Nesse momento!


No olhar a alma também

Olhando-me, e eu a ver

Tudo quanto de ti teu olhar tem.

A ver até esquecer

Que tu és tu também.


Só tua alma sem tu

Só teu pensamento

E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou

Ficou com o momento

E o momento parou.


Fernando Pessoa